Supercomputador do LNCC se torna a maior plataforma computacional da América Latina

Equipamento fica em Petrópolis (RJ) e é usado por pesquisadores de diversos países. Com investimento, capacidade de processamento aumentou 360%.

O supercomputador Santos Dumont, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, se tornou a maior plataforma computacional da América Latina após investimento de R$ 63 milhões da Petrobras e dos parceiros, que compõem o Consórcio de Libra.

A nova capacidade foi inaugurada na tarde desta segunda-feira (25)​ com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.

"Um computador como esse faz uma diferença gigantesca no planeta. Precisamos da ciência e tecnologia trabalhando ombro a ombro com todos os ministérios. Essa expansão devolve ao Brasil uma posição muito importante no ranking mundial”, afirma o ministro.

Para Marcos, a "ciência e a tecnologia" é a base do desenvolvimento de todos os países, pois é a ferramenta de retorno mais rápido, mais alto e mais certo.

 

"Todos os países desenvolvidos têm trabalhado aumentando seu potencial de supercomputadores".

 

Usado por pesquisadores de diversos países, o supercomputador Santos Dumont teve um crescimento da capacidade de processamento de 1,1 Pflops para 5,1 Pflops (5,1 milhões de bilhões de operações matemáticas por segundo).

Quando o equipamento chegou ao LNCC, em 2015 ocupou a posição de maior computador da américa latina, chegando a estar entre os 500 mais potentes do mundo. Porém, com a falta de investimentos,o supercomputador Santos Dumont deixou de ser o maior em capacidade de processamento.

 

Supercomputador no LNCC em Petrópolis, RJ, é a maior plataforma computacional da América Latina — Foto: Aline Rickly/G1

Supercomputador no LNCC em Petrópolis, RJ, é a maior plataforma computacional da América Latina — Foto: Aline Rickly/G1

Pontes também falou a representantes da Petrobras e comunidade científica, que participaram da solenidade, sobre os investimentos.

“Precisamos desse sistema saudável. O orçamento é baixo, mas ele vai crescer. Para ele aumentar precisamos mostrar o retorno do investimento. Estamos trabalhando em como trazer novas fontes de recursos”, disse.

Durante o evento o diretor do LNCC, Augusto Gadelha, mostrou os projetos que são realizados no laboratório, como pesquisas nas áreas de saúde, relacionadas à Zika, Chikungunya e Febre Amarela, "Super bactérias" hospitalares e câncer.

Também no LNCC são feitos estudos sobre biodiversidade e biotecnologia.

A expansão da capacidade de processamento do supercomputador permitirá que aplicações científicas possam ser executadas em um ambiente computacional capaz de oferecer resultados em menor tempo e com maior precisão.

 

Augusto Gadelha, diretor do LNCC, abre cerimônia em Petrópolis e fala dos projetos desenvolvidos pelo supercomputador — Foto: Aline Rickly/G1

Augusto Gadelha, diretor do LNCC, abre cerimônia em Petrópolis e fala dos projetos desenvolvidos pelo supercomputador — Foto: Aline Rickly/G1

O suporte financeiro de R$ 63 milhões é oriundo da receita de 1% do valor bruto da produção anual de petróleo do campo de Mero, situado no polo pré-sal da Bacia de Santos.

Segundo o LNCC, a destinação de recursos para atividades de pesquisa e desenvolvimento é parte das obrigações do contrato de partilha de produção de petróleo.

O campo de Mero é operado pelo Consórcio de Libra e liderado pela Petrobras – com participação de 40% - em parceria com a Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC Limited (10%). O consórcio tem ainda a participação da companhia estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA), que exerce o papel de gestora deste contrato de exploração e produção.

 

Ministro Marcos Pontes ao lado de Juliano Dantas, gerente executivo interino do Cenpes (centro de pesquisa da Petrobras), na sala onde fica o supercomputador — Foto: Aline Rickly/G1

Ministro Marcos Pontes ao lado de Juliano Dantas, gerente executivo interino do Cenpes (centro de pesquisa da Petrobras), na sala onde fica o supercomputador — Foto: Aline Rickly/G1

 

Aumento da capacidade até 2020

 

E os investimentos no aumento da capacidade de processamento do supercomputador não param por aí.

O objetivo é de que ele chegue a 20 Pflops (20 milhões de bilhões de operações matemáticas por segundo) até o fim de 2020, conforme disse Juliano Dantas, gerente executivo interino no Centro de Pesquisa da Petrobras.

"É necessário que a gente tenha associações com institutos de pesquisas científicas. Então, é uma composição. A gente vai usar recursos da maneira mais eficiente para atingir essa capacidade".

Sobre a importância de investir cada vez mais no aumento da capacidade de processamento, ele diz que é uma corrida, porque isso evolui de maneira muito rápida.

 

"A gente precisa estar sempre avançando nesse aumento de capacidade, para se tornar competitivo no nosso mercado, como empresa e até como país também", afirmou.

 

 

Laboratórios de inteligência artificial

 

Ainda durante o evento desta segunda-feira (25), o ministro Marcos Pontes falou sobre a instalação dos laboratórios de inteligência artificial no país a partir de 2020.

De acordo com ele, serão instalados oito laboratórios, sendo quatro em São Paulo e os outros quatro em outras regiões do país que ainda não foram definidas.

 

“Nós estamos colocando os investimentos que nós temos possibilidade agora, com possibilidade de aumentar o investimento e aumentar o número de laboratórios participantes também", disse.

 

Segundo Marcos, esses laboratórios vão iniciar uma sequência de política de inteligência artificial no Brasil.

"Se vocês observarem nós fizemos uma chamada pública para as pessoas participarem e darem a sua opinião a respeito dessa política de inteligência artificial, assim como a política nova agora de inovações, que também está lá com a chamada para consulta pública, assim como, a política de materiais avançados", afirmou.

O ministro afirmou que foram escolhidos setores que dão um retorno de investimento alto para o país e que vão gerar empregos e o surgimento de novas empresas.

"Na medida que conseguirmos mais investimentos, mais recursos, vamos colocar mais investimentos nessas áreas", disse.

De acordo com Pontes, os laboratórios serão sobre Internet das coisas (IOT) e vão abordar também outras áreas como: Cidades inteligentes 4.0, Indústria 4.0, Saúde 4.0 e Agricultura 4.0

Fonte: G1

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