Alerta: lotação de pacientes de Covid-19 chega a 92% nas UTIs da rede municipal do Rio

Hoje, 137 pessoas aguardam transferência para internação na rede pública.

Nas primeiras semanas de novembro houve um aumento de pacientes com sintomas de coronavírus nas emergências. Hoje, 137 pessoas aguardam transferência para internação na rede pública. E todos os dias chegam mais pacientes com sintomas as unidades de saúde.

“A doença começou em mim com uma simples tosse, que foi aumentando, aumentando me dando falta de ar”, conta o microempresário Roberto Mendes.

Roberto procurou uma Unidade de Pronto Atendimento e precisou ser internado.

“Eu tô internado há sete dias aqui no Hospital Ronaldo Gazolla e acredito que devo ter alta”.

Na rede municipal da cidade do Rio a ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 está em 92% — 243 pacientes estão internados.

Na rede SUS da capital, que inclui hospitais da rede municipal, estadual, federal e conveniados, a taxa de ocupação na UTI está em 77% — com 426 pacientes.

Ao todo, contando com os leitos de enfermaria, são 770 pacientes internados com sintomas de coronavírus.

Na segunda semana de julho eram 1.078; em agosto, 887; em setembro, 940; e na segunda semana do mês passado 847.

Especialistas dizem que com a volta de todas as atividades está difícil baixar a contaminação e o número de internações.

O número de pacientes com sintomas de coronavírus nas emergências públicas da capital e Baixada Fluminense aumentou essa semana, segundo a Prefeitura do Rio.

Hoje, 137 pacientes aguardam transferência para internação — 33 são graves e precisam de leitos de UTI.

Rede particular

Na rede particular, os médicos também sentiram um aumento na procura pelas emergências nas últimas duas semanas.

A Associação de Hospitais do Estado disse que o atendimento nas emergências subiu 40%, e os médicos alertam que a doença continua atingindo de forma grave muitos pacientes.

“Nós percebemos um aumento nesse número de pacientes que precisam internar e da mesma forma continuamos tendo pacientes graves. É uma doença individual, ou seja, cada paciente responde de uma forma, e imprevisível, porque nós não sabemos quem vai ficar bem, não vai precisar de oxigênio ou vai precisar de oxigênio, e eventualmente ser entubado”, diz o médico intensivista Felipe Saddy.

A pesquisadora de saúde Chrystina Barros, da UFRJ, afirma que o Rio ainda está longe de se livrar do coronavírus.

“A gente tem que lembrar que a doença existe, a doença não tem nem um ano de existência, então muito para a gente aprender. À medida que a gente sabe que alguns cuidados podem salvar vidas, e deixa esses cuidados de lado, isso passa a ser tolice. Isso não é coragem”, diz.

O que dizem a prefeitura e o estado

A prefeitura do Rio disse que o número de hospitalizações na rede SUS está estável e que taxa de ocupação só está alta por causa do fechamento de leitos em hospitais, como em Bonsucesso.

A prefeitura afirmou ainda que os pacientes que precisam de internação só aguardam o tempo de regulação e transferência em ambulância, e que a demanda continua menor do que a oferta de vagas.

Já o governo do estado diz que a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid em alguns hospitais é alta porque muitos leitos foram remanejados para atender casos graves de outras doenças.

A secretária Extraordinária de Covid, Flávia Barbosa, disse que o estado continua em um “platô” alto de casos, mas não houve aumento.

“Em relação às internações, o que a gente tem observado é um platô epidêmico desde a primeira semana de julho para cá. No cenário mais atual, uma média de 1.100 internações. Já em relação aos óbitos, nós temos observado uma queda, bem menor proporcionalmente ao que já foi na época do pico pandêmico, mas tem se respeitado uma queda de aproximadamente no cenário atual de 20%, com um média de óbitos em torno de 280", disse.

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