Prefeito Marcelo Crivella é preso

Crivella foi preso em operação do MPRJ e da Polícia Civil. Ao todo, seis alvos foram presos. Entre eles, o empresário Rafael Alves, apontado como chefe da organização criminosa

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), foi preso na manhã desta terça-feira (22). Agentes da Polícia Civil e do Ministério Público (MPRJ) estiveram na residência do político no condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Seis mandados de prisão foram cumpridos e um continua em aberto, porque o alvo não foi encontrado em sua residência.

Crivella foi preso em operação do MPRJ e da Polícia Civil, em um desdobramento da investigação do suposto "QG da Propina" na Prefeitura do Rio. Além do prefeito, foram presos o empresário Rafael Alves, apontado como líder do esquema criminoso, o delegado Fernando Moraes, o ex-tesoureiro de Crivella Mauro Macedo e os empresários Adenor Gonçalves e Cristiano Stokler.

O delegado Fernando Moraes foi citado em uma conversa entre o ex-senador Eduardo Lopes e o empresário Rafael Alves. O ex-senador Eduardo Lopes também é alvo da ação, mas não foi encontrado em sua residência no Rio de Janeiro. Ele mora em Belém, no Pará. 

O carro de Crivella, deixa o condomínio onde mora na Barra, escoltado por carros da Polícia Civil - Estefan Radovizs

O carro de Crivella, deixa o condomínio onde mora na Barra, escoltado por carros da Polícia CivilEstefan Radovizs

Três dos seis presos foram levados para a Delegacia Fazendária, na Cidade da Polícia, no Jacaré, na Zona Norte do Rio: Rafael Alves, Mauro Macedo e Fernando Moraes. Os outros três presos não tinham chegado à delegacia até as 7h40. 

Ao chegar à Cidade da Polícia, Crivella disse que é vítima de uma "perseguição política" e pediu "justiça". "É perseguição política. Lutei contra o pedágio ilegal, injusto. Tirei recurso do carnaval, negociei o VLT. Fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro", disse. Questionado sobre qual sua expectativa agora, respondeu que espera justiça.

Investigação começou com delação premiada de doleiro

A investigação teve como ponto de partida a delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso na Operação Câmbio Desligo, um dos desdobramentos da Lava Jato fluminense, realizada em maio de 2018. Veio dele a expressão QG da Propina para se referir ao esquema, que teria como operador Rafael Alves, homem forte da prefeitura apesar de não ter cargo oficial. Ele é irmão do ex-presidente da Riotur, Marcelo Alves, exonerado do cargo em março de 2020 a pedido dele próprio. 

O suposto QG funcionaria assim, de acordo com o delator: empresas interessadas em trabalhar para o Executivo carioca entregavam cheques a Rafael, que faria a ponte com a prefeitura para encaminhar os contratos. O esquema também funcionaria no caso de empresas com as quais o município tinha dívidas - aqui, o operador mediaria o pagamento. As propinas seriam negociadas em uma sala na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, ao lado da Riotur.

Rafael Alves, Mauro Macedo e Fernando Moraes não deram declarações ao serem presos. Um mandado de busca e operação está sendo cumprido em Angra dos Reis. Os investigadores buscam uma lancha de 77 pés que pertence ao empresário Rafael Alves.

 

Fpnte: O dia

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