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Foto: G1

Vistoria no Hospital Federal de Bonsucesso encontrou profissionais sem qualificação fazendo triagem

Neta denuncia que avó morreu após ter intestino e útero perfurados em exame.

"Uma situação lamentável". É assim que o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) define a atual situação do Hospital Federal de Bonsucesso. A entidade realizou uma visita às instalações da unidade no dia 30 de julho e lá diz que encontrou problemas de superlotação, de desabastecimento, paredes mofadas e até funcionários administrativos fazendo triagem de pacientes na emergência.

A emergência da unidade funciona de maneira aberta a todos os pacientes. Por isso, existe a necessidade de que um profissional de saúde habilitado faça a classificação de risco dos pacientes. Com problemas para completar o quadro de funcionários, as recepcionistas fazem esse trabalho, de acordo com o Cremerj.

“A classificação de risco tem que ser feita por um enfermeiro. Perguntamos para as duas meninas da recepção quem fazia a classificação. Aparentemente eram funcionários terceirizados, sem formação na área de saúde, contratados para fazer ficha. Uma situação gravíssima”, destacou Nelson Nahon, presidente do Cremerj.

O relatório da visita mostrou que, em caso de dúvida, a funcionária questionava um médico por meio de telefonema ou enviando imagens.

“Esta Comissão de Fiscalização identificou que o acolhimento do paciente da emergência é realizado por um profissional administrativo, não habilitado para esta função. Segundo verificado, o acolhimento ocorre na própria recepção administrativa, localizada na entrada da Emergência, onde o profissional administrativo relatou que aciona o médico, telefonando ou encaminhando fotos. Segundo sua opinião, ‘o paciente está grave se estiver sangrando ou desmaiado’”, afirmou outro trecho do relatório.

Além dos especialistas, familiares dos pacientes também relatam problemas. A secretária Liziane Barros levou a avó, Tereza Barros, para fazer uma colonoscopia no dia sete de março deste ano. Ela conta que a idosa, de 80 anos, teve o intestino e o útero perfurados no exame. Segundo a neta, que chegou a tirar uma foto das duas na sala de espera, a morte foi fruto da imperícia e falta de condições da unidade.

"Minha avó entrou andando e saiu num caixão", destacou Liziane.
Por causa da idade avançada, Tereza ficou em observação até o dia seguinte, quando piorou. No dia 9 ela chegou a passar por uma cirurgia e foi levada para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Lá, ela ficou internada até o dia 4 de maio, quando faleceu.

Ela denunciou que as instalações do CTI, que abriga os pacientes em situação de saúde mais frágil, não têm ventilação adequada e insetos circulam pelo local. Ela chegou a flagrar um deles na testa da idosa. Liziane afirmou que vai processar o hospital com outras duas famílias que tiveram problemas semelhantes.

“A gente a levou para realizar um simples exame e saiu com o papel de óbito dela”, contou Liziane.

Questionado pela produção desta reportagem, o Hospital Federal de Bonsucesso afirmou que Tereza deu entrada na unidade para retirar um pólipo do intestino e que, por meio do exame, foi contatada doença diverticular do cólon, além de tumor pólipo e problemas cardíacos. Na retirada do primeiro de três tumores, o tecido se rompeu e a paciente foi enviada para cirurgia e depois internada no CTI, onde veio a falecer por conta de uma pneumonia.

A família afirma que a idosa foi para a unidade fazer um exame de rotina e que ninguém chegou a mencionar que a idosa teria um tumor.

Fonte: G1/ Internet

22/08/2018

09:31:32