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Carta Divulgada Pela Família Imperial

Foto: G1

Família Imperial se manifesta por carta sobre incêndio que destruiu Museu Nacional

Mensagem pede que as causas sejam investigadas e os responsáveis punidos.

A Família Imperial Brasileira se manifestou por meio de uma carta na noite desta segunda-feira (3) sobre o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio, na noite deste domingo (2): "História reduzida a cinzas", diz o título do documento enviado por membros da família que moram em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, e em outras cidades brasileiras.

O acervo doado por descendentes de D. Pedro II e da Princesa Isabel, que nasceram no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, foi perdido.

"A história costuma ser cruel com quem a negligencia. Quem contribuiu pela omissão, em décadas de desídia, para o triste desastre da destruição do Museu da Quinta da Boa Vista, não terá como escapar de ter a própria história tisnada pelo registro deste crime, de consequências cuja extensão levaremos ainda muitos anos para avaliar corretamente".

Na carta, os Orleans e Bragança dizem que é tarefa urgente investigar as causas e punir os responsáveis, se for o caso, mas destacam que o mais importante é "jogar luz sobre o abandono e o desinteresse que põe claramente em iminente risco outros bens do povo brasileiro".

No documento, a família lembra que o Museu Nacional reunia muitos registros do amor que o Imperador D. Pedro II e a Princesa Isabel tinham pelo Brasil, além de bens valiosos, que foram doados.

"A intenção, como ocorreu com as doações feitas também ao Museu Imperial de Petrópolis e tantos outros foi entregar ao povo brasileiro, bens, documentos e obras de arte importantes para o estudo de sua história".
Por este motivo, a família diz sentir, como todos os brasileiros, a indignação com que o patrimônio foi tratado, até levá-lo à destruição.

"Os avisos foram muitos, nenhum governo pode se dizer desinformado e nem se pode tratar o incêndio de domingo como uma exceção. Na verdade, negligenciamos nosso imenso e rico patrimônio histórico, cultural e científico, como o fazemos com tantos outros aspectos da vida brasileira", diz outro trecho da carta.

Eles também lamentaram profundamente o que aconteceu e o que levou à destruição desse acervo. "Desejamos que essa tragédia nos ensine que todos temos papel importante na preservação de instituições e acervos que contam a história do país".

A família destaca ainda a repercussão que o assunto teve nesta segunda-feira (3). "A dor é universal, mas a vergonha é nacional", disse na carta, referindo-se a perda do importante acervo, que levou séculos para ser estabelecido.

Segundo a vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo, apenas cerca de 10% do acervo não foram destruídos após o incêndio de domingo (2).

"Este documento pode ser entendido como um protesto, com o qual nos unimos a todas as manifestações já tornadas públicas em todo o mundo sobre a destruição do Palácio da Quinta da Boa Vista. Cabe a todos nós brasileiros lutar para preservar a nossa história, da mesma forma que cabe a todos nós não calar diante de descalabros, em quaisquer áreas da vida nacional em que eles ocorram", conclui o manifesto.

Ontem, o príncipe Dom João de Orleans e Bragança visitou a construção e lamentou os estragos do incêndio, afirmando ainda que tem peças de seu acervo que foram da família real e que podem ser emprestadas para uma possível reinauguração do Museu.

Fonte: G1/ Região Serrana

04/09/2018

08:32:15