Fábrica da Marcopolo em Xerém fecha as portas

Demitidos da Marcopolo lamentam fim das atividades em Xerém, na próxima sexta-feira.

Uma das fábricas mais importantes para o Brasil fecha as portas no Rio de Janeiro deixando muitos amantes dos ônibus com saudades.

A Marcopolo, que tem o nome atrelado à história do transporte de passageiros, segue em funcionamento com as unidades do Espírito Santo e no Rio Grande do Sul, mas no Rio a fábrica de Duque de Caxias, que durante muitos anos foi responsável por empregar centenas de moradores da Baixada Fluminense, encerra as atividades.

Em 1994 a multinacional adquiriu 49% de uma outra encarroçadora e passou a fabricar os veículos em Xerém. A sede foi a principal unidade de fabricação de carrocerias de ônibus urbanos da Marcopolo. A companhia afirmou que passa por um processo de otimização e a decisão foi tomada frente a necessidade de reduzir os custos.

O empresário Rafael Souza, que também é motorista de ônibus, lembra com carinho da empresa que já foi responsável por muitas viagens conduzidas por ele. Os cerca de 800 funcionários serão demitidos, mas alguns poderão atuar na fábrica de São Matheus, no Espírito Santo.

Atualmente, a empresa é a líder do mercado brasileiro no segmento ônibus e está entre as maiores fabricantes do mundo. As exportações abrangem países na América Latina, como Peru, Argentina e Chile, e na África, como Angola e Gana.

Recentemente, o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, afirmou que uma empresa chinesa de ônibus elétricos pode ocupar o espaço.

Em nota, a Prefeitura de Duque de Caxias informou que a área onde está localizada a fábrica de carrocerias Marcopolo, em Xerém, é privada e que não tem informações sobre a ocupação da área por outra empresa.

O último ônibus produzido pela fábrica em Xerém

O último ônibus produzido pela fábrica em Xerém Foto: Reprodução

Início em meio à Segunda Guerra

Governo Getúlio Vargas, 1939. O Brasil se lançava em um grande processo de industrialização. Nesse espírito, o então coronel Antônio Guedes Muniz propôs a construção de uma fábrica de motores de avião. Assim, em 1942, foi fundada a Fábrica Nacional de Motores, em Xerém.

Quando saiu o primeiro avião com motor FNM-Wright, em 1946, a Segunda Guerra já havia acabado e Getúlio fora deposto. O novo presidente, Eurico Gaspar Dutra, mandou suspender a produção. Para salvar a FNM, Muniz (alçado a brigadeiro) pôs a fábrica para fazer até eletrodomésticos. Só em 1949 é que Xerém encontrou seu rumo: foi a primeira empresa a fabricar caminhões no Brasil. Com o golpe militar, o novo governo fez uma intervenção e, em 1968, a velha parceira Alfa Romeo assumiu o controle da FNM.

Em 1977, a fábrica foi vendida à Fiat. Na época, o governador Leonel Brizola salvou da falência a fábrica de carrocerias de ônibus Ciferal, em Ramos. Em 1992, a produção da Ciferal foi transferida para a FNM. Em 2001, a empresa acabou adquirida pela Marcopolo. Agora, virou história.

 

Fontes: Band.com.br e Extra On Line

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