Sem pagar salários, Hospital Estadual Adão Pereira Nunes fecha dois CTIs por falta de médicos

Um CTI adulto e outro pediátrico deixaram de funcionar na unidade. Secretaria Estadual de Saúde diz que uma estrutura foi fechada quando a administração da unidade estava a cargo da Prefeitura de Duque de Caxias, e a outra está fechada para obras.

Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, está com dois CTIs fechados. Segundo funcionários, faltam médicos para operar nas unidades porque os salários estão atrasados há dois meses.

“A pessoa precisa de dinheiro para poder pagar as contas, e os médicos não vão trabalhar de graça. Por conta disso, foram fechados dois CTIs. Está com lacre na porta e tudo”, conta um funcionário da unidade.

Eles contam ainda que o hospital só tem dois CTIs, dos quatros existentes, em funcionamento.

A situação abriu ainda uma crise na administração da unidade, que mudou de direção novamente em um ano, já que a Secretaria Estadual de Saúde rompeu de forma unilateral o contrato com a organização social Mahatma Ghandi, que administrava a unidade.

Até julho do ano passado, o hospital era administrado pelo instituto Iabas, que suspendeu o atendimento alegando falta de repasses do governo do estado.

A administração foi repassada então para a Prefeitura de Duque de Caxias que tocava a gestão, num acordo com o governo do estado, e em janeiro desse ano chegou a OS Mahatma Gandhi. Atualmente a administração está nas mãos da OS Ideas.

Uma outra funcionária diz que a situação altera também o atendimento em outras áreas do hospital.

 

“Já faz algum tempo que o atendimento segue restrito à classificação vermelha. Então só entra na unidade pacientes graves com risco de morte”, diz.

 

Em nota, a secretaria informou que a mudança foi por causa de "inconformidades na gestão" e para garantir o atendimento adequado à população. A nota diz ainda que está apurando a responsabilidade da OS Mahatma Ghandi em um processo administrativo, e que vai adotar os procedimentos legais cabíveis.

Sobre os CTIs, a Secretaria Estadual de Saúde alega que uma das unidades fechou no ano passado, quando o hospital era administrado pela Prefeitura de Caxias, e a outra – a pediátrica - está fechada para reformas. Mas, de acordo com a secretaria, devem reabrir nas próximas semanas.

A secretaria informou ainda que fez todos os repasses financeiros à organização social Mahatma Ghandi, e que o pagamento dos funcionários é responsabilidade da OS. A produção desta matéria procurou a organização, mas não obteve resposta.

 

Fonte: G1

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